Choose Royal

Design, objects, material culture and stuff.

Fakes

Começámos por ficar chocados e desiludidos por vermos as nossas escolhas, designers e marcas misturados com outro bric-a-brac decorativo ou utilitário, em espaços comerciais que não eram a Dimensão ou a Paris-Sete (para citar dois clichés essenciais deste comércio de autor).
De repente a dita democratização do design (ou o design da democratização do objecto) era quase verdade, e toda a gente podia comprar os objectos que venerávamos com o mesmo desplante com que fazemos compras no supermercado.
Agora percebemos que tem que ser mesmo assim.
Marcas como a Kartell ou a Alessi (para citar outros dois clichés) podem, e devem, ser encontradas na Área (sem desmérito para o trabalho que a marca faz para o bom-gosto desta raça) mas também noutros lugares menos dados ao design e mais à chinesice, como umas lojas infernais chamadas Musgo (onde se pode comprar Kartell) ou outras, que nunca associaríamos ao design (nestes termos), como a Pollux (onde se pode comprar um sucedâneo das Unidades Modulares (1969) de Anna Castelli Ferrieri, também conhecidas como Componibili no catálogo da Kartell, a marca que as editou originalmente).
Assim evitaríamos ver estes espaços associados a estas cópias, cada vez mais comuns, vindas do outro lado do mundo.
Que se lixe a raridade dos objectos que tínhamos em casa (com muita pena nossa).
Queremos é continuar a fazer justiça ao que é original, aos autores que os criaram e aos pioneiros que arriscaram editá-los.
E que a China comece rapidamente a copiar-se a si própria.
(imagem: montra da Pollux (uma desilusão numa Royal) com uma cópia de uma composição com Unidades Modulares (1969) de Anna Castelli Ferrieri, editada originalmente pela Kartell)
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3 comments on “Fakes

  1. Angela Ladeiro
    February 9, 2010

    Pois é amigo. As cópias de cópias… e por aí fora, fazem-nos repensar o valor do design, hoje. Já não há respeito por nada nem ninguém. Modas e invenciones!… dos tempos que correm… Tenho um original na minha casa de praia. Um beijo

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  2. poor guy fashion victim
    February 10, 2010

    E tudo isto à custa de mão-de-obra não barata mas escrava, e à custa da anulação dos mais básicos Direitos do Homem.

    Esperemos apenas que as Kartell(es) e as Alessi(s) da velha Europa, não se suicidem e não caiam na tentação da deslocalização da produção como última estratégia de sobrevivência. Aí sim, acabar-se-ão os originais, dos autores e também de todos os trabalhadores anónimos que com os autores trabalharam para tornar possível a peça original.

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  3. Anonymous
    February 10, 2010

    it's kind of sad but is true…!

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This entry was posted on February 9, 2010 by in Uncategorized.
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