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A Portugueza

Já ouvimos falar d’A Portugueza desde que se tornou a marcha patriótica de Henrique Lopes de Mendonça e Alfredo Keil.
Depois passou a hino nacional e os valores republicanos sobrepuseram-se aos nacionalistas.
Agora que a República ainda está no limite de uma suposta maturidade (sem retrocesso), temos todos a capacidade de encaixe e a consistência para podermos olhar de novo para o hino e reescrevê-lo (deixando-o igual) com a ironia que hoje merece.
É o que faz o Cão Solteiro com Vasco Araújo em A Portugueza, em cena (só sobra hoje) no Teatro Maria Matos (também esse, finalmente, de parabéns).
Constroem um diálogo, que se revela absurdo (vá-se lá saber porquê) a partir do poema que deu origem ao Hino Nacional, e põem em cena todos os portugueses que constroem diariamente uma realidade que nos passa ao lado (e que no fim acaba mesmo por ir para um buraco) (um rectângulo onde até há luz…).
Pode ser que, daqui a ano, na altura das festarolas para a República, possamos ter A Portugueza em cena no S. Carlos, e celebrar (seja lá o que for) num concerto patriótico (mesmo já tendo passado mais de 100 anos).
(imagem: desenho, imaginamos que, de Vasco Araújo tirado da página do Cão Solteiro)
A Portugueza está em cena ainda hoje, 3 de Outubro, no Teatro Maria Matos.
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2 comments on “A Portugueza

  1. cao solteiro
    October 3, 2009

    Não é mas podia ser, que além de sermos todos portugueses trabalhamos na mesma casota, pessoalmente o meu preferido é um com bandeirolas onde em baixo se lê ” A Dentadura da Pátria”, ai amigo que isto quando se junta a fome com a vontade de comer dá risota pegada ….e ainda é o que de melhor o jucundo solo tem para oferecer! (tirando os nossos estupendos oculos , claro!) Abraço !

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  2. Luis Royal
    October 3, 2009

    caro cão solteiro (e caríssimos leitores),
    note-se que quando nos referimos ao “diálogo absurdo” foi com máximo prazer que nos deleitámos a ouvi-lo.
    o “absurdo” vem da leitura dos nossos tempos e da capacidade que tiveram em conseguir construí-lo com mais nada.
    todos rir ao maria matos!
    (que os óculos são nossos e, sejam falsos ou não, têm que ser pagos)

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This entry was posted on October 3, 2009 by in Teatro.
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