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Pataniscas n’O Bando

Ir ao teatro é uma prática comum.
Vamos, de carro, de vespa, de táxi ou com alguém (se for perto até podemos ir de metropolitano!), chegamos, levantamos bilhetes, encontramos pessoas e conversamos, vemos o que há para ver, saímos, fumamos cigarros enquanto comentamos e dali nos vamos para onde convir.
Ir ver O Bando a Palmela, mais precisamente Vale de Barris, é outra experiência.
Mais do que apenas ver bom teatro, mesmo que isso não seja linear desta vez foi bom teatro, é passar por uma experiência, entrar numa nova realidade.
O Bando é como uma família de amigos que vive no campo e que visitamos.
Fruímos tudo com uma nova atenção e somos estranhamente bem recebidos.
O ritual é todo diferente: vamos para longe, sofremos a via sacra diária dos suburbanos da outra margem, chegamos ao campo, guiamos por estradas em curvas entre montes onde apenas a neblina do castelo nos referencia, chegamos a guiar por estradas de terra e vemos ao longe uma casa ainda por acabar (ou para sempre por acabar). Paramos nas ervas e não encontramos ninguém conhecido mas, de repente, são todos conhecidos. Amigos.
Galões de máquina e empadas envernizadas dão lugar a jarros de vinho tinto, sopa e pataniscas ao lado de uma salamandra coberta com alecrim.
Já nem era preciso teatro, mas o certo é que o programa se prolonga e o teatro é mesmo bom.
João Brites, um dinossauro destas coisas, de quem já vimos coisas de que gostámos e outras de que nem tanto, encena textos de Al Berto em A Noite.
É um homem e uma mulher, ou só um homem que também é uma mulher, mas que não o sabe, ou uma mulher que é a morte, ou ainda um homem que vai morrer e nem se importa.
Saímos da sala carregados pelo peso de Al Berto, mas com uma leveza que não se respira em Lisboa (será isto algum síndrome que cresce em nós?).
Voltamos a guiar pelas mesmas estradas e revemos a nossa cidade pelo lado certo (era isto que em Almada queriam dizer: aquele é o lado certo para se ver Lisboa. e é).
Emolduramos as próximas idas a’O Bando, onde queremos mais pataniscas e, dessa vez, não deixaremos passar ao lado o arroz doce.
(obrigado à nossa querida TL)

(imagem: pataniscas e vinho tinto d’O Bando)

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This entry was posted on April 26, 2009 by in Teatro.
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